sábado, 16 de agosto de 2014

Capelas dos Ossos em Faro

A construção das capelas dos ossos decorreu em Portugal entre os séculos XVI e XIX e insere-se num quadro estético religioso marcado pelo novo culto dos mortos nascido do culto das almas do Purgatório. Em Faro, para além de uma pequena capela existente junto ao claustro da Sé existem outras duas localizadas junto ao antigo cemitério privativo da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, construídas em 1816, a título gratuito, por vários irmãos da Ordem, destacando-se o letreiro da porta da capela maior com a inscrição: “ Pára aqui a considerar que a este estado hás-de chegar”.
A capela mais pequena, aberta ao ar livre e muito degradada tem acesso por um arco de volta inteira sendo coberta por uma abóbada de berço.
A capela de maiores proporções apresenta-se em muito melhor estado de conservação, sendo o espaço interior coberto por abóbada de berço decorada com reticulato de tonalidade cor de tijolo, enquadrando crânios e ossos menores. As paredes obedecem ao mesmo esquema decorativo da capela mais pequena. ( pesquisa da net)





 Teatro Lethes ou Colégio de Santiago Maior

É um edifício de construção seiscentista ( 1605), fundado pelo então Bispo do Algarve D. Fernando Martins Mascarenhas. Não se conhece o autor do projecto mas foi, com certeza, um jesuíta. Organiza-se a partir do modelo de estabelecimento que opta por localizar a igreja ao centro, com dois pátios, um de cada lado, em volta dos quais se desenvolviam a vida colegial e conventual. A fachada principal, de composição simétrica, encontra-se dividida em três panos, correspondendo o central à frontaria da Igreja. Alas conventuais e colegiais adossadas às fachadas laterais da igreja, desenvolvidas em dois pisos, com corredor longitudinal, fazendo a distribuição das várias salas. Muros em forma de aleta a rematarem corpos laterais, ocultando as coberturas em telhado e terraço.Planta longitudinal, de nave única, com cobertura em abóbada de berço.Segue um esquema semelhante ao do Colégio de São Sizenando, em Portimão. Em 1759, confiscados os bens e banida do país e dos domínios ultramarinos a Companhia de Jesus, o Colégio de Santiago Maior encerrou as suas portas. Por volta de 1779, foi entregue aos Carmelitas Calçados ou Marianos que nele se mantiveram até à implantação do Liberalismo. Com as invasões francesas comandadas pelo General Junot, as instalações do antigo Colégio foram devassadas e profanadas para aí alojarem os seus soldados.
Em 1843 Lázaro Doglioni , médico italiano de grande sensibilidade artística, que manifestara publicamente a sua intenção de construir em Faro um teatro à semelhança do Teatro de São Carlos, em Lisboa, adquire-o em hasta pública. Depois de remodelado, foi inaugurado a 4 de Abril de 1845, por ocasião do aniversário da Rainha D. Maria II. Foi-lhe dado o nome de Lethes (designação de um mítico rio, cujas águas tinham o poder mágico de apagar da lembrança das almas os reveses e as agruras da vida) como símbolo do apaziguamento desejado após a Guerra Civil que correspondeu às Lutas Liberais (1828-1834). A inscrição latina na fachada do edifício, "Monet Oblectando", poderá ser traduzida por "instruir, divertindo", salientando assim as preocupações culturais do promotor da construção desta sala de espectáculos.
Herdado pelo sobrinho de Lázaro Doglioni, o Dr. Justino Cúmano, notável clinico e grande benemérito e protector das artes, o edifício sofreu ampliações por volta de 1860, de forma a receber mais espectadores. Em virtude de ser um espaço amplo e distinto na cidade, em 11 de Setembro de 1898 funcionou nele o primeiro animatógrafo em Faro.
No início do século XX, veio a sofrer remodelações tendo em vista melhorar as condições dos espectáculos. Contudo, o declínio do espaço inicia-se na década de 20, culminando com o seu encerramento em 1925.
Em 1951, a família Cúmano vende o edifício à Cruz Vermelha Portuguesa, em cuja posse ainda se mantém.
Sucessivamente sujeito a obras de recuperação, o Teatro Lethes, propriedade da Cruz Vermelha Portuguesa, foi gerido, na sua vertente de sala de espectáculos, pela empresa municipal Teatro Municipal de Faro, EM. Desde 5 de Outubro de 2012 que o Teatro Lethes tem como estrutura residente a Companhia de Teatro do Algarve – ACTA ( pesquisa e foto da net)( adaptado)